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Coração na menopausa

coração menopausa 2Coração das mulheres fica mais vulnerável após a menopausa

A população do sexo feminino ainda dá pouca atenção à necessidade de prevenção às doenças coronarianas, acreditando que este é um problema dos homens. No Instituto do Coração de Petrópolis, Incope, do Hospital SMH – Beneficência Portuguesa, a diferença entre o número de atendimentos realizados em ambos os sexos é cada vez menor, levando os médicos a alertarem sobre os riscos.

“As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre as mulheres”, destacam os cardiologistas Bruno Vogas e Juarez Von Seehausen, responsáveis pelo setor de cardiologia clínica do Hospital SMH. Segundo os médicos, a hipertensão arterial descontrolada e a obesidade são alguns dos principais fatores que contribuem para o aumento dos casos de doença arterial coronariana entre as mulheres.

Segundo estatísticas do setor de hemodinâmica do Hospital SMH, que realiza procedimentos por acesso endovascular, como cateterismos, angioplastias e arteriografias, as pacientes do sexo feminino corresponderam a 40% dos atendimentos realizados em 2013. Das internações na UTI coronariana no ano passado, 41% foram de pacientes mulheres, enquanto de janeiro a abril de 2014 elas já representam 54% da ocupação dos leitos.

O cardiologista explica que os problemas de coração tendem a surgir mais tardiamente nas mulheres devido a ação dos hormônios, o que não significa que elas estejam protegidas. “O ‘atraso’ pode ser atribuído a ação protetora do estrogênio, que retardaria o processo de aterosclerose na mulher em idade reprodutiva. Entretanto, este processo teria uma evolução mais rápida após a menopausa”, aponta Bruno Vogas, ressaltando que o risco de morte é maior nas mulheres, segundo os dados do Registro Nacional do Infarto do Miocárdio, realizado nos Estados Unidos.

A cintilografia de perfusão miocárdica e o ecocardiograma de estresse estão entre as melhores opções para a investigação da doença arterial coronariana na mulher. Os exames ajudaram a identificar e a tratar o problema na aposentada Tânia Maria Von Seehausen, de 57 anos. “Fiz a cintilografia no setor de medicina nuclear do SMH e o meu problema foi identificado. A rapidez no diagnóstico salvou a minha vida”, conta Tânia, que colocou um marca-passo (dispositivo que corrige os batimentos do coração) e hoje tem muito mais qualidade de vida.

Dr. Bruno Vogas e dr. Juarez Von Seehausen

Os sintomas e os tipos de doença do coração que surgem com mais frequência também variam entre os sexos. Juarez Von Seehausen afirma que, embora a grande maioria das pessoas com infarto do miocárdio apresente dor no peito, a ausência desse sinal é mais comum nas mulheres do que nos homens. “Dor nos braços, falta de ar, náuseas e vômitos, além de fadiga e indigestão podem ser a manifestação de um infarto em uma mulher”, esclarece o cardiologista.

Os especialistas ainda salientam que a doença arterial coronariana aguda costuma se manifestar mais sob a forma de infarto do miocárdio nos homens, enquanto nas mulheres a apresentação mais comum é a da angina do peito (isquemia). A cardiomiopatia Takotsubo, conhecida como “síndrome do coração partido”, afeta tipicamente as mulheres que já entraram na menopausa e os sintomas costumam aparecer após uma situação de estresse. “Estima-se que 67% das mortes súbitas de origem coronariana ocorrem em mulheres que não apresentaram qualquer manifestação prévia da doença”, destaca Bruno Vogas, com base em estudos americanos.

As opções de tratamento variam conforme o caso e incluem o uso contínuo de medicamentos, a realização de procedimentos como a angioplastia e a cirurgia de ponte de safena. As doenças cardiovasculares são responsáveis por 34% dos óbitos no Brasil, sendo que 1/3 desse total corresponde a doenças coronarianas. O dado é da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC).


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Ataque cardíaco e as enzimas

infartoDosagem de enzimas identifica o processo de infarto

É possível identificar o processo de infarto agudo do miocárdio através de um exame feito com uma amostra de sangue do paciente. A análise das enzimas cardíacas permite ao médico avaliar o grau de comprometimento do coração para definir o melhor tratamento imediato. O equipamento de alta tecnologia fornece o resultado em 15 minutos no laboratório do Hospital SMH – Beneficência Portuguesa. Cardiologistas do Instituto do Coração de Petrópolis, o Incope, explicam que a tecnologia é fundamental no dia a dia, especialmente em casos de urgência.

Segundo dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia, no Brasil, cerca de 400 mil pessoas buscam, por ano, atendimentos de urgência por conta de doenças coronarianas e 15% delas não sobrevivem. No SMH, o exame de enzimas cardíacas fornece um diagnóstico rápido e preciso, reduzindo, assim, o número de mortes. “Ele mede os níveis das enzimas que são alterados quando a pessoa sofre ou está sofrendo um infarto”, explica o bioquímico, Helcio de Souza Neves.

O diagnóstico é definido através de um conjunto de dados. “Ele traça a curva, ou seja, o pico máximo atingido pelas enzimas, bem como seu restabelecimento ao nível normal”, explica o especialista em análises clínicas e supervisor técnico do laboratório, Antonio Salomão, acrescentando que desta forma é possível não apenas confirmar o infarto, mas também medir o grau de comprometimento do músculo cardíaco.

O cardiologista Bruno Vogas, responsável, junto com o também especialista Juarez Von Seehausen, pelo setor de internação cardiológica do hospital, explica que “este é o método mais específico para diagnosticar o infarto do miocárdio em associação aos sintomas e ao eletrocardiograma”. O médico frisa que a troponina se eleva no sangue após quatro horas do início do infarto e, por isso, é necessário realizar mais de uma dosagem para haver confirmação. “É indispensável acompanhar os pacientes com dor torácica por um período mínimo que permita a aferição”, acrescenta Vogas. O teste é disponibilizado para todos os setores do hospital, incluindo o Incope.


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